Fonte: ZUCCHI, Jacopo. Amor e psique (1589)

“A TRANSFERÊNCIA”

O evento occorerá no dia 1º de julho de 2017,  na sede da AMRIGS – Av. Ipiranga 5311, Partenon, Porto Alegre

 

Argumento

Lacan, no seminário de 1960-1961, que ele denominou de “A transferência em sua disparidade subjetiva,   sua   pretensa   situação,   suas   excursões   técnica”, aborda finalmente um tema  tantas  vezes  insinuado: a transferência. Qual  é  a função  do analista? O que determina o surgimento do amor dito de transferência? Como opera o analista na transferência? A crítica à concepção corrente mostra que a análise não é uma situação na qual transferência e contratransferência se correspondem, visto que esta última encobre aquilo que constitui o eixo central da análise: o desejo do analista. Este constitui a peça fundamental de uma análise não porque instauraria uma relação intersubjetiva com o analisante, mas decorre do princípio segundo o qual o desejo é desejo do Outro. Então, como o analista faria para limitar o desejo que lhe concerne, seja  como  eu  ideal  ou ideal  do eu, a  fim  de  que  se abra o espaço no qual ressoe o Che vuoi? De  modo  magistral, Lacan nos  guia em caminhos que levam à noção de objeto causa do desejo, o objeto  nomeado como a, na dialética platônica entre o érastès e o érôménos, o amante e o amado, assim como na dialética entre Psyché e Éros e na trilogia de Claudel (O refém, O pão duro, O pai humilhado).

O que diferencia o  objeto  causa  do  desejo  do  significante  falo? Qual  é a função do pai, enquanto significante Nome-do-Pai? A partir daí somos jogados na  questão  decisiva: como se dá a sexualização do desejo? O que determina que o desejo seja essencialmente sexual? Responde introduzindo-nos na dialética Necessidade-Demanda-Desejo relativa aos objetos oral, anal  e fálico. E assim ele deixa as pistas para podermos diferenciar amor, desejo e  gozo. Enfim, a questão que não deixa de retornar: no que mesmo consiste o fenômeno da transferência e seu amor? Poderia o analista operar bem seu lugar mantendo o tom próprio de sua função? Ocupar o lugar do objeto afasta  o analista de qualquer acesso a algum  ideal, visto que, como nos ensina  Sócrates, nenhum objeto se coloca como desejável por sua perfeição. “Não há objeto que tenha maior ou menor preço que um outro, e aqui está o luto em torno do qual está centrado o desejo do analista.” Este desejo, é desejo do quê? Enfim, o analista é um qualquer.

 

Filmes mencionados por Lacan neste seminário:

Título: Uma barragem contra o Pacífico
Direção: Rithy Pang
Ano: 2008
Baseado na obra de Marguerite Duras Uma Barragem contra o Pacífico

Título: Rocco e seus irmãos
Direção: Luchino Visconti
Ano: 1960

 

INSCRIÇÕES: pelo email eepsicanaliticos@terra.com.br ou  telefone (051)3328.4727

INVESTIMENTO: 

  • Membros e proponentes da EEP: R$ 60,00
  • Estudantes: R$ 70,00
  • Profissionais: 100,00

 

PROGRAMA – Parte 1 – 9h às 12h30min

 Abertura

Margareth Kuhn Martta Presidente da Escola de Estudos Psicanalíticos

 

Mesa 1: O artista está presente – Cartel Seminário “A transferência”

Componentes: Beatriz Dias Malo, Nair Macena de Oliveira, Maria Marta Só Vargas de Oliveira, Viviane Carla Dall’ Agnol

Debatedora: Conceição de Fátima Beltrão Fleig

Mesa 2: Amar é dar o que não se tem Componentes: Elenice Cazanatto, Margareth Kuhn Martta, Sandra Helena Mazzochi

Debatedora: Maria Marta Só Vargas de Oliveira

Mesa 3: O (na)(da) e a transferência: amar é dar o que não se tem – Cartel Seminário “A Transferência”

Componentes: Marjane F. de Aguiar Biasin, Rafaela Bossardi, Fabrício Carlo Bellei, Sirlene Gonçalves Mais Um: Ariela Siqueira Dal Piaz

Debatedora: Návia Terezinha Pattussi

 

INTERVALO – 12h30min às 14h

 

PROGRAMA – Parte 2 – 14h às 16h30min

 

Mesa 4: Laboratório de topologia: a transferência e a topologia do sujeito

Componentes: Maria Cristina Hein Fogaça e Martha  Marlene Wankler Hoppe Debatedora: Nair Macena de Oliveira

Mesa 5: Amor e desejo em transferência

Componente: Mario Fleig Debatedor: Aurélio Marcantonio

 

Encerramento

Maria Marta Só Vargas de Oliveira Vice-presidente da Escola de Estudos Psicanalíticos