No “Mal estar na civilização”, Freud nos defronta com a assustadora tendência nativa do homem à maldade, à agressão, à destruição e, portanto, à crueldade. Essa maldade habitaria no próximo, mas não há nada mais próximo do que em si mesmo, esse gozo do qual não se ousa aproximar-se. Aproximando-se surge a agressividade, diante da qual se recua, mas que retorna contra si mesmo, vinda em lugar da Lei esvanecida, pois Deus está morto. Consequentemente, como dar conta do mandamento: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”, se amar o próximo pode ser a via mais cruel? Então, na posição de analista, caberia o desejo de realizar o bem, o desejo de curar?

Lacan enfatiza que no homem, não se trata de satisfação da necessidade, e sim de satisfação da pulsão, a qual se constitui numa dimensão histórica.  O ex-nihilo, o nada da Coisa, é o ponto de criação, do qual nasce o que é histórico na pulsão. “No começo era o verbo”, o significante, consequentemente a pulsão de morte se articula à cadeia significante. Então, nos momentos em que a destruição emerge na transferência, seria importante algum cuidado especial do analista na condução do tratamento?

O desejo radical é o desejo de morte manifesto em forma de destruição, e o que faz barreira encobrindo-o é o bem e o belo. Ou seja, o bem e o belo nos afastam do desejo ao mesmo tempo em que nos indicam o campo da destruição. Em vista disso, como dirigir o tratamento, quando o bem ou o belo insistem no discurso do analisante?

Lacan, no seminário “A ética da psicanálise”, remete-nos a Freud que em sua experiência clínica, na reação terapêutica negativa, reencontrou o campo de das Ding, determinando-nos o plano do para além do princípio do prazer, ao designar o que na vida pode preferir a morte.

A ética da psicanálise se funda e se sustenta na Spaltung, nessa divisão que determina o desconhecimento do sujeito sobre si e a impossibilidade de uma integração, sendo ofício do analista atentar às manifestações do inconsciente, via em que algo do desejo pode se enunciar. O que então Lacan nos ensina sobre a operação clínica neste seminário?

 

9h15min – Abertura
Nair Macena de Oliveira

9h30min – Os impasses éticos do assujeitamento ao desejo e à cultura
Navia Patussi
Coordenação: Denise Nunes Mousquer

11h – Reiko Porã pá?
Viviane Silveira
Coordenação: Nacitamara Fiorentini

12:30h – Intervalo para almoço

14h- Cartel – Pulsão de morte
Ariela Siqueira Dal Piaz, Elisabete Coelho Lamachia, Giselle Montemezzo,
Nacitamara Fiorentini, Viviane C. Dall’Agnol
+1 Conceição de Fátima Beltrão Fleig
Coordenação: Rosane de Abreu e Silva

15h30min – Fórum de discussões
Mario Fleig
Coordenação: Maria Cristina Hein Fogaça

16h30min – Encerramento
Margareth Kuhn Martta 

Data: 02/07/2016

Local
Sede da Escola de Estudos Psicanalíticos – Caxias do Sul
Endereço: Rua Dal Canalle, 2186, sala 6014 – Centro