Ministrante: Mario Fleig

« Das Ich ist vor allem ein körperliches, es ist nicht nur ein Oberflächenwesen, sondern selbst die Projektion einer Oberfläche. » (S. Freud, 1923)

« Das Ich ist vor allem ein körperliches, es ist nicht nur ein Oberflächenwesen, sondern selbst die Projektion einer Oberfläche. » (S. Freud, 1923)

 

A identificação (1961-1962) é o tema do seminário de Lacan, que vem na continuidade da postulação freudiana: o entrecruzamento entre a escolha de objeto e a identificação. Freud, apesar de todos os seus avanços na elucidação desta temática ao diferenciar três tipos de identificação e esclarecer como se forma neste processo o supereu, nunca ficou satisfeito com suas elaborações no tocante à identificação.

Se o eu, o ego, se constitui pelas identificações, Lacan desloca a questão buscando o que funda a identificação do sujeito, o sujeito do inconsciente: o significante. Se a escolha de objeto visa a dimensão do ter, a identificação toca na problemática do ser do sujeito. Se antes a problemática da identificação remetia ao outro com quem oego se identifica, para Lacan se trata antes da relação do sujeito com o significante: que eu sou? E isso implica a questão do nome próprio.

Assim, o amor do objeto e o amor de si mesmo, aparente incompatibilidade entre essas duas formas de escolha de objeto, são intercambiáveis pela postulação freudiana de um estádio falo-narcísico, e enriquecidos pela noção de amor de objeto parcial de K. Abraham. Para este, no amor objetal parcial os genitais estão excluídos, em função da intensidade com que o sujeito os investe. Ora, a fase fálica comporta uma identificação que permanece obscura, ainda que esteja em jogo precisamente a parte que se encontra excluída, ou seja, o falo: ali onde o supomos, ali ele não está.

Apesar de tudo, Lacan retoma a questão do que constitui a identificação fálica, tanto para indicar o sentido do que seria o luto do analista, na comparação que faz com a ilha banhada pela espuma de Afrodite e com o rochedo autoerótico envolto pelo véu úmido do apaixonamento, como para elucidar o que seja a identificação, e para isso fazendo uso explícito da topologia e da lógica.

Neste seminário de maio, no atinente à identificação, introduziremos a apropriação que Lacan realiza da lógica aristotélica e suas leituras, especialmente a de Kant e Pierce, à luz da matriz privação, frustração, castração e do estatuto da negação.

Textos de referência:
Lacan, J. Seminário IX – A identificação, lições 17/01; 24/01; 28/02/1962.

Leitura complementar:
Kant, E. Crítica da razão pura. (Ver final da analítica transcendental, “Apêndice: Da anfibolia dos conceitos da reflexão)

Lacan, J. Seminário I – Os escritos técnicos de Freud, lição 05/05/1954. Lacan, J. Seminário IV – A relação de objeto, lições 15/01; 18/06/1057. Lacan, J. Seminário VI – O desejo e sua interpretação, lição de 29/04/1958. Lebrun, J.-P. Clínica da instituição. CMC,2009. (ver Anexo)

Lebrun, J.-P. O mal-estar na subjetivação. Porto Alegre: CMC,2010. Freud, S. Psicologia das massas e análise do eu. (1921) (cap. VII) Freud, S. O eu e o isso. (1923)

Freud, S. Novas conferências introdutórias à psicanálise. (1933) (Conf. 31)

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Este Seminário faz parte do Campo temático Escritos e seminários de Lacan, sob a responsabilidade de Mario Fleig, Maria Cristina Hein Fogaça, Nair Macena de Oliveira, Izabel Dal Pont, Sônia Noll.

A Escola de Estudos Psicanalíticos define por “Campo temático” aquilo que considera indispensável e fundamental para a formação de um psicanalista, tanto na teoria como na prática, sendo sugerida a inserção em campos temáticos, a par do cuidado, de cada um, com sua análise e análise de controle.

Data:
Mensal, quinta-feira, às 20h, 17/05, 14/06, 16/08, 13/09, 18/10. Modalidades de participação: presencial ou semipresencial (Skype) Rua Miguel Tostes, 949, sala I, Rio Branco, Porto Alegre

Investimento por encontro: R$ 100,00;
Membros e Proponentes da EEP isentos

Inscrições: eepsicanaliticos@terra.com.br, fone 051 33284727