Ministrante: Mario Fleig
Este seminário faz parte do Campo temático Escritos e seminários de Lacan, sob a responsabilidade de Mario Fleig, Maria Cristina Hein Fogaça, Nair Macena de Oliveira
A Escola de Estudos Psicanalíticos define por “Campo temático” aquilo que considera indispensável e fundamental para a formação de um psicanalista, tanto na teoria como na prática, sendo sugerida a inserção em campos temáticos, a par do cuidado, de cada um, com sua análise e análise de controle.

A práxis psicanalítica, no reviramento proposto por Lacan, parte da estrutura do real, do simbólico e do imaginário. Para dar conta do sujeito com o qual se opera na clínica, requer-se tomar a perspectiva estrutural. Assim, a práxis apreendida conceitualmente (estrutura) e o conceito posto à prova no exame do obrar artesanal particular e institucional, intensivo e extensivo da clínica se faz na apreensão topológica da estrutura do imaginário, do simbólico e do real (no lugar do inconsciente, pré-consciente e consciente, ou eu, isso e supereu freudianos).

A topologia lacaniana, ao introduzir inovações conceituais, permite elucidar e operar muitos dos impasses que restaram na clínica freudiana. A forma (Gestalt), o tamanho e as distâncias não têm mais função, assim como uma nova estética (espaço e tempo) se impõe. A fita de Möbius escreve uma nova relação entre interior e exterior (O inconsciente é o discurso do Outro, o mais exterior e o mais íntimo = a extimidade). Subverte-se a relação sujeito/objeto. Sujeito é corte, o objeto é o que causa (objeto a), ambos bidimensionais. Do estágio do espelho, leitura lacaniana da teoria do eu e do narcisismo de Freud, ao grafo do desejo veremos como se diferencia a variabilidade de cada sujeito, tomado um por um em sua particularidade, do que resta de invariante.

Cabe um pergunta: por que temos tanta dificuldade frente aos conceitos fundamentais da Psicanálise, especialmente no tocante à Topologia? Lacan mesmo percebia o efeito de resistência que surgia em seus alunos e isso ouvimos até hoje: é muito teórico, é muito difícil! Ora, frente àquilo que se entendia na clínica psicanalítica como resistência dos analisantes, ele operou uma torção radical com a introdução da noção de “resistência do analista”. E nesta linha situa ele seu par, a “resistência à teoria”, pois o analista se destaca por ser alguém que quer saber. Cabe lembrar a resistência que se produziu entre os alunos de Freud quando este postulou a noção de pulsão de morte. Ora, é com a resistência que um analista opera, seja a sua ou a do analisante, pois lhe cabe se deixar levar pelo que está aí, e se nisso se produz um obstáculo, servir-se precisamente deste obstáculo como uma alavanca para fazer uma mínima, mas decisiva e fecunda torção, que supostamente se ancora no pilar decisivo na práxis do analista: o desejo do analista.
Assim, a teoria psicanalítica, que jamais se completa em um sistema, suscita enorme resistência e sua torção requer aquilo que especifica o achado maior de Freud: o desejo do analista. É o que Lacan enuncia na Universidade de Roma em 1964: “O desejo do analista é o que, em última instância, opera na psicanálise”. E sabemos nós o que é o tal do desejo do analista?

Mensal, quinta-feira, às 20h, 18/05, 29/06, 13/07, 17/08, 14/09, 19/10, 16/11

Modalidades de participação: presencial ou semipresencial (Skype)

Rua Miguel Tostes, 949, sala I, Rio Branco, Porto Alegre

Investimento:
Pacote integral: R$ 600,00
Encontro avulso: R$ 100,00;
Membros e Proponentes da EEP isentos

Inscrições: eepsicanaliticos@terra.com.br, fone 051 33284727