Retorno a Schreber

Autor: Charles Melman CMC Editora, ISBN: 85-88640-09-0, 340p., 2006 O Retorno a Schreber, de Charles Melman, conjuga um estilo coloquial com um grande rigor conceitual. No embalo das vagas levantadas por S. Freud e J. Lacan, o autor surfa com desembaraço pela “irracionalidade-racional” ou “racionalidade-irracional” do Dr. Jur. Daniel Paul Schreber nas Memórias de um Doente dos Nervos, situando a psicose paranóica nos devidos parâmetros clínicos. O projeto do Dr. Schreber de “fazer avançar o conhecimento da verdade… (que) uma vez reconhecida universalmente não deixará de produzir frutos para o resto da humanidade” tem seu prosseguimento neste agradável e estimulante Seminário. O irracional do “sistema nervoso” que se torna “almas examinadas” dentro da “racionalidade” schreberiana, segue o fluxo histórico da marcha do conhecimento humano quando o surgimento do phatos como o álogon raiz de dois deu origem aos números “irracionais”, ou o “imaginário” raiz de menos um fez nascer os números “complexos”. Não é sem razão que Ch. Melman abre seu Seminário com os fragmentos de Heráclito com suas radicais e “luminosas” formulações que raiam as bordas do irracional como “o arco que tem o nome de vida, mas cuja obra é a morte”. Invocando o teorema do “ponto fixo” de Brouwer, torna-se um corolário a afirmação de que o pensamento de Heráclito promove “a dissolução de todo ponto fixo” e que a hybris, a desmesura ou a arrogância...

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Jogo de posições da mãe e da criança:

Ensaio sobre o transitivismo

Autor: Jean Bergès e Gabriel Balbo CMC Editora, ISBN: 85-88640-03-1, 160 p., 2002   É comum observar que ao ver um filho em perigo de cair ou vítima de uma queda sua mãe se mostre afetada por isso e lhe exprima esse afeto de dor de modo demonstrativo, mas, sobretudo, particularmente articulado na fala. O que ela experimenta e comunica desse modo é uma certeza, porque ela sustenta seu afeto em um real e, por esse motivo, seu filho lhe dá razão a partir do que ela lhe diz. Assim, o transitivismo não é somente o que a mãe experimenta e demonstra, é também um processo que ela introduz quando se dirige a seu filho, porque faz a hipótese de um saber nele, saber em torno do qual seu apelo vai circular, como em torno de uma polia, para a ela retornar sob a forma de uma demanda; demanda que supõe ser a de uma identificação de seu filho ao discurso que ela lhe dirige.Nesta obra, os autores se empenham em mostrar a importância clínica e teórica do estudo do transitivismo, que ilumina, de modo inédito, a emergência precoce e em seguida a resolução do jogo de posições da mãe e de seu filho no discurso que...

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Depressão, a grande neurose contemporânea

O psicanalista Roland Chemama, com as ferramentas legadas por Freud e Lacan, interroga, em nossa modernidade, que na depressão há um tipo de recusa da realidade, um medo do futuro, uma relação com o tempo que coloca o sujeito de hoje em uma grande perplexidade frente às tarefas cotidianas e aos engajamentos no mundo. Como o analista, de quem se poderia dizer que é um cidadão um tanto marginal e cujo pão de cada dia é ouvir a queixa de um particular, poderia não estar interessado em repensar sua prática analítica a partir de uma reflexão sobre a depressão, que Roland Chemama concebe “como uma estrutura psíquica particular na qual um homem ou uma mulher podem estar privados de suas referências simbólicas”? Sob a forma de uma série de cartas endereçadas a um interlocutor, o autor procura delimitar os elementos estruturais do que atualmente nomeamos depressão. O diagnóstico tem sido freqüentemente evocado para qualificar dificuldades subjetivas diversas. Seria preciso contestar sua pertinência? A depressão apresentaria uma unidade, pelo menos em um certo nível? Mais do que um humor sinistro, ela aparece como um desenvestimento radical do desejo, associado a uma paralisia da ação, que reúne impotência e utopia. Situando neste livro o que Lacan caracterizava como sendo “a grande neurose contemporânea”, o autor, em sua escrita literária ao mesmo tempo rigorosa e acessível, examina essa “doença do século”. Catherine...

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Há um infantil na psicose?

  Autor: Jean Bergès e Gabriel Balbo CMC Editora, ISBN 85-88640-04-X, 164p.,2003   Y a t-il un infantile de la psychose?, seminário clínico de Jean Bergès e Gabriel Balbo desenvolvido de outubro de 1998 a junho de 1999, dá continuidade ao seminário sobre as teorias sexuais infantis, e serviu de base para a redação do livro Psicose, autismo e falha cognitiva na criança, publicado na França em 2001. É em torno de um verdadeiro tabu que se constroem as questões levantadas neste seminário: pode-se falar de psicose da criança ou de psicose na criança? Se isso é possível, como falar? O que falar? Quando falar? Essas questões, e muitas outras, estão à espera, levantadas pela sutileza do título com o qual, na primeira lição, os autores abrem seu ensino. Há um infantil da psicose?(Y a t-il un infantile de la psychose?). Mesmo que não façamos a análise lógica dessa construção francesa interrogativa, a própria estrutura da frase deve ser interrogada e merece que nela nos detenhamos um instante, pois, com efeito, esse ipsilon, que se tornou latino através de uma longa história de vogais e de consoantes, é ao mesmo tempo um pronome e um advérbio. Esse y, na expressão Y a t-il, seja na função de advérbio (“aqui”, “neste caso” e “neste momento”) ou de pronome, não tem sentido analisável. Entretanto, é possível destacar a impersonação redobrada (o...

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