Gabriel BalboO livro, de autoria do psicanalista francês Gabriel Balbo, será lançado no dia 24 de junho (sábado), na Unisinos, sede Porto Alegre. Membros da EEP e demais interessados têm encontro marcado no período das 10h30 até as 12h30.

 

Tratamento psicanalítico – O desejo e sua interpretação
Gabirel Balbo
Editora CMC, 2017

 

Apresentação da obra
Partimos do pressuposto enunciado por Lacan de que o estado do sujeito, na neurose, na psicose ou na perversão, depende do que se desenrola em A, ou seja, o inconsciente é o discurso do Outro, cuja sintaxe nos chega pelos fragmentos que constituem as suas ditas formações. O acesso a esta impessoal cadeia significante, eixo teórico da direção do tratamento, como Gabriel Balbo já nos havia alertado há bastante tempo, se faz pelo mais banal recurso de que dispomos: a fala. Essa cadeia significante – que incide na cria humana e a desnatura, subvertendo em demanda e desejo a totalidade das necessidades que a assolam – é o solo fértil do trabalho do psicanalista. O desejo que pode habitar e morder cada um dos falantes vem do campo do Outro, é sempre desejo do Outro. Se estamos de acordo com isso, o que seria, então, sua interpretação? Quais as condições para que uma análise possa acontecer? O que faz um analista? No que consiste, então, uma análise? E o desejo, como se opera com isso no trabalho psicanalítico cotidiano? E qual é o lugar do sonho em uma análise? Em nossas discussões sobre O desejo e sua interpretação (1958-1959), de J. Lacan, estávamos enredados em múltiplas questões, quando apelamos para Gabriel Balbo, que aceitou nos trazer sua leitura desse seminário. Assim, para lidar com perguntas tão radicais, ele apresentou uma tessitura entre o desejo de análise, a análise do desejo, o desejo do analista e a análise de desejos (transferência de desejo e
desejo de transferência), tendo como fio condutor o sonho, no cruzamento entre línguas, em direção ao que seja a letra no inconsciente. E que agora levamos ao leitor.

Diante de nossa perplexidade em face de enunciados paradoxais emitidos por Lacan, como, “o desejo é a metonímia do ser no sujeito; o falo é a metonímia do sujeito no ser”, Balbo apresenta-nos a sutil distinção lacaniana entre o desejo, o objeto a, que lhe é o causador, e o significante da falta de um significante, que é o falo simbólico. Este, como significante subtraído à cadeia da fala, condiciona toda relação com o Outro e faz com que todos os demais significantes existam. Dessa forma, o falo é o conceito e o significante do complexo de castração, de tal modo que, qualquer que seja, toda relação com outrem será marcada por uma falta, por uma castração.

Qual a novidade dessa postulação lacaniana para a clínica da neurose, da perversão e da psicose? Deixamos ao leitor a tarefa de percorrer o texto que lhe alcançamos e verificar se alguma novidade nele se encontra. Assim, trazemos à luz e às mãos do leitor Tratamento psicanalítico: o desejo e sua interpretação, resultado do ciclo de conferências promovido pela Escola de Estudos Psicanalíticos em outubro e novembro 2014 e ministrado por Gabriel Balbo.

Mário Fleig