“Ah! Não vai dar nada…!”

Patologias da responsabilidade e delírio de autonomia na pós-modernidade   IHU Idéias Publicado no IHU Online, n. 185 19 de junho de 2006. www.unisinos.br/ihu Expressão bastante ouvida nos últimos anos, “Ah! Não vai dar nada!…”, guarda um sentido muito mais sério do que se pode supor. É o que afirma o filósofo e psicanalista Mario Fleig em entrevista por e-mail à IHU On-Line, adiantando aspectos sobre o evento que conduz em 29 de junho, na penúltima edição do IHU Idéias neste semestre: “As patologias da responsabilidade aparecem como um efeito generalizado da progressiva impessoalização das relações de trocas, tendo assim um alcance globalizado, que segue de perto a expansão da economia do livre mercado.” A atividade, que tem entrada franca, vai das 17h30min às 19h, na sala 1G119 do IHU. O título é sugestivo: “Ah! Não vai dar nada!…” Patologias da responsabilidade e delírio de autonomia na pós-modernidade. Vale a pena conferir… A conferência do prof. Mário Fleig, nesta quinta-feira, constitui-se no pré-evento do Simpósio Internacional O futuro da autonomia. Uma sociedade de indivíduos a ser realizado de 21 a 24 de maio de 2007, na Unisinos. Já foram convidados e confirmaram sua participação, entre outros, Charles Melman, psicanalista francês, Gianni Vattimo, filósofo italiano, Paul Valadier e Jean-Claude Monod, filósofos franceses e o antropólogo brasileiro Eduardo Viveiros de Castro. Fleig é professor do curso de Pós-Graduação em Filosofia da...

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Sintomas contemporâneos

ZERO HORA Segundo Caderno Sábado, 23 de novembro de 2002 A psicanálise não é um tratamento como tomar um remédio. Ela deve abrir portas, expor outras dimensões da verdade. A tese emerge do livro Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano (CMC Editora, 347 páginas), que o francês Roland Chemama esteve autografando na capital gaúcha. Na entrevista a seguir, Chemama comenta o exercício da psicanálise na cena contemporânea. Fala de depressão, fetiche, mercantilização dos desejos e contesta a propalada idéia de morte da psicanálise: – O psicanalista representa ainda a possibilidade de uma outra relação com o mundo. Cultura – No livro Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano o sr. discute a relação da clínica psicanalítica com a literatura e a história. É possível que a psicanálise possa se servir dessa relação sem perder sua eficácia clínica? Roland Chemama – Sim. Na medida em que reconhecemos que o inconsciente é uma expressão da linguagem, fica clara a importância de seguir o modelo pelo qual os escritores trabalharam os grandes eixos da linguagem. Antes de me tornar psicanalista, eu tinha um interesse particular pela literatura, que não se caracterizou como algo exterior à minha orientação psicanalítica. Tentarei ser mais preciso: o poeta nos dá realmente a idéia do funcionamento polissêmico da linguagem. Para ele, uma palavra tem freqüentemente sentidos variados. Acostumar-se com isso aproxima o psicanalista do funcionamento do...

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A descoberta do mal-estar do sujeito na civilização

IHU On-Line, São Leopoldo 8 de maio de 2006 WWW.UNISINOS.BR/IHU Entrevista com Mario Fleig O psicanalista Mario Fleig é professor do curso de pós-graduação em Filosofia da Unisinos e membro da Associação Lacaniana Internacional. Graduado em Psicologia pela Unisinos e em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora Medianeira, é mestre em Filosofia pela UFRGS, com a dissertação Os esquemas horizontais em Ser e Tempo, doutor em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), com a tese O tempo é a força do ser – Lógica e temporalidade em Martin Heidegger, e pós-doutor pela Université de Paris XIII (Paris-Nord), França, em Ética e Psicanálise. Em entrevista por e-mail à IHU On-Line, Fleig menciona que, talvez, “a obra freudiana tenha sido a mais importante resposta aos efeitos colaterais (ou seja, aqueles produzidos na vida psíquica e social), produzidos pela modernidade. Freud teria encontrado uma chave de leitura e uma terapêutica para o mal-estar do sujeito na civilização e talvez alguma indicação para a civilização européia, especificamente moderna, e ainda hoje válido, com as ampliações e modificações próprias, na pós-moderna”. Ao remexer “na lixeira da ciência de sua época” Freud “de lá retirou muito material que havia sido descartado. Esse material, que, em seu conjunto, denominou de formações do inconsciente, foi reintroduzido em valor de dado científico: os sonhos, os lapsos, os chistes, os sintomas, a sexualidade,...

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Uma nova economia psíquica

IHU ONLINE • WWW.UNISINOS.BR /IHU 8 DE MAIO DE 2006 Entrevista com Charles Melman “O que revela uma cura psicanalítica são as diversas maneiras como um animal falante é fabricado pela linguagem. Freud o estabeleceu, mas sem poder formalizá-lo, por falta de uma ciência lingüística constituída em sua época. Como o próprio Lacan o repetia, ele era freudiano: ele apenas formalizou a experiência de cura freudiana. Quanto aos limites, Lacan estava seguro deles, porque ele era civilizado. Mas, sua particularidade era que ele trabalhava com a possibilidade, ou não, de um limite que não teria sido psicopatogênico”. A afirmação é do psicanalista francês Charles Melman, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. Aluno de Lacan, Melman estará na Unisinos em 2007, como conferencista de abertura do Simpósio Internacional sobre o futuro da autonomia. Melman é membro fundador da Association Freudienne Internationale e diretor de ensino na antiga École Freudienne de Paris. Escreveu dezenas de livros, entre eles Novas formas clínicas no início do terceiro milênio. Porto Alegre: CMC, 2003; Neurose obsessiva. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2004; Formas clínicas da nova patologia mental. Recife: CEF-Recife, 2004; O homem sem gravidade – gozar a qualquer preço. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2005; Será que podemos dizer, com Lacan, que a mulher é sintoma do homem? Rio de Janeiro: Tempo Freudiano, 2005; Retorno a Schreber. Porto Alegre: CMC, 2006....

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