Autor: Branca Solio

XII Jornada da Escola de Estudos

Psicanalíticos: A ética da psicanálise

No “Mal estar na civilização”, Freud nos defronta com a assustadora tendência nativa do homem à maldade, à agressão, à destruição e, portanto, à crueldade. Essa maldade habitaria no próximo, mas não há nada mais próximo do que em si mesmo, esse gozo do qual não se ousa aproximar-se. Aproximando-se surge a agressividade, diante da qual se recua, mas que retorna contra si mesmo, vinda em lugar da Lei esvanecida, pois Deus está morto. Consequentemente, como dar conta do mandamento: “Amarás a teu próximo como a ti mesmo”, se amar o próximo pode ser a via mais cruel? Então, na posição de analista, caberia o desejo de realizar o bem, o desejo de curar? Lacan enfatiza que no homem, não se trata de satisfação da necessidade, e sim de satisfação da pulsão, a qual se constitui numa dimensão histórica.  O ex-nihilo, o nada da Coisa, é o ponto de criação, do qual nasce o que é histórico na pulsão. “No começo era o verbo”, o significante, consequentemente a pulsão de morte se articula à cadeia significante. Então, nos momentos em que a destruição emerge na transferência, seria importante algum cuidado especial do analista na condução do tratamento? O desejo radical é o desejo de morte manifesto em forma de destruição, e o que faz barreira encobrindo-o é o bem e o belo. Ou seja, o bem e o belo...

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Jogo de posições da mãe e da criança:

Ensaio sobre o transitivismo

Autor: Jean Bergès e Gabriel Balbo CMC Editora, ISBN: 85-88640-03-1, 160 p., 2002   É comum observar que ao ver um filho em perigo de cair ou vítima de uma queda sua mãe se mostre afetada por isso e lhe exprima esse afeto de dor de modo demonstrativo, mas, sobretudo, particularmente articulado na fala. O que ela experimenta e comunica desse modo é uma certeza, porque ela sustenta seu afeto em um real e, por esse motivo, seu filho lhe dá razão a partir do que ela lhe diz. Assim, o transitivismo não é somente o que a mãe experimenta e demonstra, é também um processo que ela introduz quando se dirige a seu filho, porque faz a hipótese de um saber nele, saber em torno do qual seu apelo vai circular, como em torno de uma polia, para a ela retornar sob a forma de uma demanda; demanda que supõe ser a de uma identificação de seu filho ao discurso que ela lhe dirige.Nesta obra, os autores se empenham em mostrar a importância clínica e teórica do estudo do transitivismo, que ilumina, de modo inédito, a emergência precoce e em seguida a resolução do jogo de posições da mãe e de seu filho no discurso que...

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Depressão, a grande neurose contemporânea

O psicanalista Roland Chemama, com as ferramentas legadas por Freud e Lacan, interroga, em nossa modernidade, que na depressão há um tipo de recusa da realidade, um medo do futuro, uma relação com o tempo que coloca o sujeito de hoje em uma grande perplexidade frente às tarefas cotidianas e aos engajamentos no mundo. Como o analista, de quem se poderia dizer que é um cidadão um tanto marginal e cujo pão de cada dia é ouvir a queixa de um particular, poderia não estar interessado em repensar sua prática analítica a partir de uma reflexão sobre a depressão, que Roland Chemama concebe “como uma estrutura psíquica particular na qual um homem ou uma mulher podem estar privados de suas referências simbólicas”? Sob a forma de uma série de cartas endereçadas a um interlocutor, o autor procura delimitar os elementos estruturais do que atualmente nomeamos depressão. O diagnóstico tem sido freqüentemente evocado para qualificar dificuldades subjetivas diversas. Seria preciso contestar sua pertinência? A depressão apresentaria uma unidade, pelo menos em um certo nível? Mais do que um humor sinistro, ela aparece como um desenvestimento radical do desejo, associado a uma paralisia da ação, que reúne impotência e utopia. Situando neste livro o que Lacan caracterizava como sendo “a grande neurose contemporânea”, o autor, em sua escrita literária ao mesmo tempo rigorosa e acessível, examina essa “doença do século”. Catherine...

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Há um infantil na psicose?

  Autor: Jean Bergès e Gabriel Balbo CMC Editora, ISBN 85-88640-04-X, 164p.,2003   Y a t-il un infantile de la psychose?, seminário clínico de Jean Bergès e Gabriel Balbo desenvolvido de outubro de 1998 a junho de 1999, dá continuidade ao seminário sobre as teorias sexuais infantis, e serviu de base para a redação do livro Psicose, autismo e falha cognitiva na criança, publicado na França em 2001. É em torno de um verdadeiro tabu que se constroem as questões levantadas neste seminário: pode-se falar de psicose da criança ou de psicose na criança? Se isso é possível, como falar? O que falar? Quando falar? Essas questões, e muitas outras, estão à espera, levantadas pela sutileza do título com o qual, na primeira lição, os autores abrem seu ensino. Há um infantil da psicose?(Y a t-il un infantile de la psychose?). Mesmo que não façamos a análise lógica dessa construção francesa interrogativa, a própria estrutura da frase deve ser interrogada e merece que nela nos detenhamos um instante, pois, com efeito, esse ipsilon, que se tornou latino através de uma longa história de vogais e de consoantes, é ao mesmo tempo um pronome e um advérbio. Esse y, na expressão Y a t-il, seja na função de advérbio (“aqui”, “neste caso” e “neste momento”) ou de pronome, não tem sentido analisável. Entretanto, é possível destacar a impersonação redobrada (o...

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Psicose, autismo e falha cognitiva na criança

Autor: Gabriel Balbo e Jean Bergès CMC Editora, ISBN: 85-88640-07-4, 208 p., 2003 Esta obra se apresenta como a seqüência da elaboração do conceito e da clínica do transitivismo a que Gabriel Balbo e Jean Bergès deram início em Jogo de posições da mãe e da criança (Porto Alegre, CMC Editora, 2002). A partir do instante em que se trata de crianças autistas ou psicóticas, os autores colocam em evidência a importância teórica e clínica da contribuição decisiva de Lacan: o grande Outro. Balbo e Bergès sustentam que não se pode mais falar de psicose, de autismo ou de falha cognitiva na criança como entidades autônomas que suporiam uma etiologia linear ou uma causalidade plurifatorial. Ao contrário, é necessário considerá-las como modalidades de respostas a fatores predeterminados que se organizam de forma complexa, sob o modo de uma topologia em constante transformação em torno desse ponto de arrimo e de referência que é o grande Outro para a criança, os pais, o analista e a instituição. Os autores mostram como se articulam as funções, as posições e as relações recíprocas do grande Outro com as formações do inconsciente descobertas por Freud e retomadas por Lacan. Com crianças psicóticas e autistas, a ambição dos autores é oferecer os elementos próprios para estabelecer uma direção do tratamento que leve em conta não somente a problemática de sua estrutura, mas também o...

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