Circulação da pulsão no aparelho psíquico

Sônia Maria Perozzo Noll “Na busca de nossa verdade e de outros conhecimentos, estamos sempre descobrindo novos caminhos que nos possibilitam resgatar o real sentido do nosso viver” (Hirsch,1996, p.8 [1]) Introdução Pulsão – Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal; o seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; é no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir suas metas (Laplanche e Pontalis,1995, P.394) Este trabalho tem como objetivo pensar a pulsão desde seu início no projeto, quando considerada como energia que circula no aparelho psíquico. Para compreendermos o significado de pulsão, faz-se necessário entender também, os conceitos de instinto e libido. Pulsão é pressão ou força, concebida como um fator quantitativo econômico, uma exigência de trabalho imposta ao aparelho psíquico […] Um conceito-limite entre o psiquismo e o somático”. Está ligada à noção de representante, como uma espécie de delegação enviada pelo somático ao psiquismo. (Laplanche e Pontalis,1995 p.395 )[2] Na medida em que a pulsão sexual representa uma força que exerce uma “pressão”, a libido é definida por Freud como energia dessa pulsão. É esse aspecto quantitativo que vai prevalecer no que se tornará, a partir da concepção do narcisismo e de uma libido do ego,...

Ler mais

A constituição do gênero masculino e feminino no pasiquismo

Sônia Maria Perozzo Noll Introdução Sexo – Conformação particular que distingue 0 macho da fêmea, nos animais e nos vegetais, atribuindo-lhes um papel determinado na geração e conferindo-lhes certas características distintivas.[1] 0 tema proposto objetiva essencialmente definir porque e como ocorre o desenvolvimento sexual nos seres humanos. Limitamos o tema dentro do parâmetro de quais os caminhos que pode tomar a sexualidade e porque ocorrem desvios. A proposta busca subsídios nos conhecimentos de Freud que, sobre este tema, fala sobre a sexualidade, seu desenvolvimento e as conseqüências psíquicas da diferença anatômica dos sexos. A fim de fundamentar com maior consistência o tema é relevante considerar as idéias e pensamentos de Melanie Klein sobre o mesmo assunto. Esta também fala sobre o desenvolvimento da sexualidade masculina e feminina. Suas idéias somadas às de Freud, permite um melhor entendimento sobre o assunto. Sobre o tema e posicionamento destes dois autores, Marie Langer fez, em sua obra, uma revisão desta literatura psicanalítica, que foi bastante relevante para a realização deste trabalho. 0 interesse por este tema surgiu da necessidade de compreender ou analisar as variáveis que interferem na escolha da identidade sexual, isto é, o que faz um homem ou uma mulher se tornar masculino ou feminino. O desenvolvimento sexual no menino e na menina para Freud O texto sobre ‘Sexualidade Feminina[2], escrito por Freud é considerado um dos mais importantes sobre...

Ler mais

Biografia de Lacan

Sônia Maria Perozzo Noll O presente trabalho trata do enfoque pessoal e resumido extraído da leitura do livro: “Jacques Lacan – Esboço de uma vida, história de um sistema de pensamento (Elisabeth Roudinesco)”, sem pretender, no entanto, esgotar ou emitir uma idéia ou senso conclusivo de sua mensagem e/ou conteúdo. “Lacan procurou introduzir a peste, a subversão e a desordem no âmago de um freudismo moderado no qual era contemporâneo: freudismo que após ter sobrevivido ao fascismo, soubera adaptar-se a democracia a ponto de não mais reconhecer a violência de suas origens”. Família de origem: Em 1865, Émile Lacan, que vinha de uma família de comércio de tecidos e gêneros alimentícios, casou-se com Marie Julie Dessaux, filha de um grande empresário do comércio de vinagre. Tiveram quatro filhos, René, que morre aos 28 anos, Marie, Eugene e Alfred. Alfred (pai de Lacan), casa-se em 23 de junho de 1900 com Émilie Philippine Marie Baudry, cujo pai foi funileiro e viveu de rendas. Tiveram quatro filhos. O primeiro foi Jacques Marie Émile Lacan (1901), depois Raymond, que morre aos dois anos de hepatite, após Madeleine Marie Emannuelle (casou-se com Jacques Halan) e Marc-Marie (Marc-Francóis). Em 1926, Marc-Françóis tornou-se monge, quando Jacques escandalizava a família com libertinagem e movimentos anticristo. Negociantes de vinagre, no coração de Orleans, de pai para filho, a família da avó de Jacques Lacan tinha um modelo...

Ler mais

As entrevistas preliminares na clínica contemporânea

Bernardo Mantovani Lacan costumava dizer em seus seminários que o psicanalista precisa ser um homem de seu tempo, o que convoca a pensar que a escuta psicanalítica deva sempre considerar a cultura e o contexto histórico em que o sujeito está inserido. Sendo que as novas formas de subjetivação presente na atualidade vêm exigindo da psicanálise uma constante reinvenção teórica e prática, na tentativa de dar conta dos novos males que assolam o sujeito na cultura, é imperativo que o analista se ponha também em um constante questionamento. Partindo-se da constatação de que hoje, no cenário da clínica psicanalítica, a dificuldade de adesão dos pacientes ao tratamento é um fenômeno que clama por um olhar mais atento do psicanalista, parece ser justificado que novas construções acerca das entrevistas preliminares possam ser discutidas. A verificação de que as novas formas clínicas são caracterizadas por um esvaziamento do simbólico, onde a alteridade está problematizada, e o sujeito se apresenta em uma relação muito específica com o saber, invita que se ponha sob a lupa este primeiro momento em que o futuro analisante se apresenta ao psicanalista. Nas entrevistas preliminares da clínica contemporânea, portanto, existe um nó. Este enodamento de difícil resolução, convida o pesquisador a produzir um novo significante que dê conta deste real. Este estudo propõe que o cruzamento teórico relativo às entrevistas preliminares, com as novas formas de subjetivação...

Ler mais

A menopausa e a idade corporal

Margareth Martta Atualmente, devido à longevidade conseguida pela ciência, há um número considerável de mulheres que, aos 50 anos, estão apenas na metade de sua vida adulta. Têm diante delas trinta anos ainda para viver, tanto quanto a partir de sua saída da adolescência. A menopausa não é somente o fim da menstruação e sua conseqüente impossibilidade de engravidar, mas um momento particular da vida, em que acontece uma mudança na imagem corporal das mulheres. Encontramos, comumente, uma reação depressiva nas mulheres que enfrentam a menopausa, independente dos ideais da cultura que apontam para um mundo seletivo, onde o personagem principal é sempre a beleza e a juventude. As mulheres na menopausa vivem um desamparo com relação à perda da imagem corporal, também, porque a feminilidade de uma mulher vai se constituir e depender de uma imagem ideal, construída a partir do olhar do outro e nunca definitivamente adquirida. Esta imagem que portamos, vinda do outro, vai ajudar a constituir a nossa identidade; é uma insígnia na qual nos representamos. Portanto, a menopausa é a perda de uma identidade que caracteriza o gênero feminino, tanto do lado da fecundidade quanto do lado da imagem ideal. São esses documentos de identidade que lhe são retirados e que estão para além de uma realidade orgânica, esta despersonalização tem um registro simbólico. É obvio que este processo na construção da subjetividade de...

Ler mais

Arquivo de posts

Agende-se

dezembro 2017
D S T Q Q S S
« out    
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31