Margareth Martta

Atualmente, devido à longevidade conseguida pela ciência, há um número considerável de mulheres que, aos 50 anos, estão apenas na metade de sua vida adulta. Têm diante delas trinta anos ainda para viver, tanto quanto a partir de sua saída da adolescência. A menopausa não é somente o fim da menstruação e sua conseqüente impossibilidade de engravidar, mas um momento particular da vida, em que acontece uma mudança na imagem corporal das mulheres.
Encontramos, comumente, uma reação depressiva nas mulheres que enfrentam a menopausa, independente dos ideais da cultura que apontam para um mundo seletivo, onde o personagem principal é sempre a beleza e a juventude. As mulheres na menopausa vivem um desamparo com relação à perda da imagem corporal, também, porque a feminilidade de uma mulher vai se constituir e depender de uma imagem ideal, construída a partir do olhar do outro e nunca definitivamente adquirida. Esta imagem que portamos, vinda do outro, vai ajudar a constituir a nossa identidade; é uma insígnia na qual nos representamos. Portanto, a menopausa é a perda de uma identidade que caracteriza o gênero feminino, tanto do lado da fecundidade quanto do lado da imagem ideal. São esses documentos de identidade que lhe são retirados e que estão para além de uma realidade orgânica, esta despersonalização tem um registro simbólico.
É obvio que este processo na construção da subjetividade de uma mulher é singular e seus desdobramentos podem levá-la a uma condição onde a identificação com a questão estética se congela, de tal forma, que é impedida de amar; ela vive somente para ser amada e desejada cultuando sua própria beleza. Outra poderá deslizar mais e encontrar outros significantes que a representem, não ficando tão vulnerável a uma imagem ideal. Este arranjo singular na construção da feminilidade de cada mulher vai ser decisivo no enfrentamento do seu processo de envelhecimento.
Importante considerar que a sexualidade do homem maduro, também, sofre modificações inelutáveis; às quais ele não fica insensível. Com certeza, quando são incapazes de fazer frente ao seu próprio envelhecimento, não podem fazer frente ao de sua mulher. Quando o homem termina uma relação de muitos anos com sua companheira e busca uma mulher muito mais nova, na verdade o que busca é a confirmação narcísica de sua juventude e poder.
A qualidade estética objetiva do corpo não é primordial no que o espelho refletirá. O que permite à mulher ver sua imagem corporal falicizada é o olhar desejante do outro, é o olhar apaixonado do namorado, marido…..
Quando a imagem corporal muda, o olhar do parceiro pode apaziguar a implacável condenação de um espelho. Diante do desamparo de uma mulher é o olhar dele que pode sustentá-la e dar-lhe segurança.