Seminário
Por uma clínica topológica: do esquema óptico aos grafos

Ministrante: Mario Fleig
A identificação é o tema do seminário de Lacan no ano 1961-1962, que vem na continuidade da temática freudiana: o entrecruzamento entre a escolha de objeto e a identificação. Freud, apesar de todos os seus avanços na elucidação desta temática, ao diferenciar três tipos de identificação e esclarecer como se forma neste processo o supereu, declara, em 1933,  estar nada satisfeito com suas elaborações sobre a identificação. Se o eu, o ego, se constitui pelas identificações, Lacan desloca a questão buscando o que funda a identificação do sujeito, do sujeito do inconsciente: o significante.

Nas últimas aulas do seminário do ano anterior, A transferência, ele toca explicitamente no tema da identificação, com base no esquema ótico. Se a escolha de objeto visa a dimensão do ter, a identificação toca na problemática do ser do sujeito. Se antes a problemática da identificação remetia ao outro com quem o ego se identifica, para Lacan se trata antes da relação do sujeito com o significante: que eu sou? E isso implica a questão do nome próprio. Assim, o amor do objeto e o amor de si mesmo, aparente incompatibilidade entre estas duas formas de escolha de objeto, são intercambiáveis pela postulação freudiana de um estádio falo-narcísico, e enriquecidos pela noção de amor de objeto parcial de K. Abraham.

Para este, no amor objetal parcial os genitais estão excluídos, em função da intensidade com que o sujeito os investe. Ora, a fase fálica comporta uma identificação que permanece obscura, ainda que esteja em jogo precisamente a parte que se encontra excluída, ou seja, o falo: ali onde o supomos, ali ele não está. Apesar de tudo, Lacan retoma a questão do que seria esta identificação fálica, tanto para indicar o sentido do que seria o luto do analista, na comparação que faz com a ilha banhada pela espuma de Afrodite e com o rochedo autoerótico envolto pelo véu úmido do apaixonamento, como para elucidar o que seja a identificação, e para isso fazendo uso explícito da topologia.

Sugestão de leitura:
Abraham, K. Um breve estudo da evolução da libido, considerada à luz dos transtornos mentais. (1924)
Freud, S. Interpretação dos sonhos. (1900) (cap. VI)
Freud, S. Para introduzir o narcisismo. (1914)
Freud, S. Psicologia das massas e análise do eu. (1921) (cap. VII)
Freud, S. O eu e o isso. (1923)
Freud, S. A dissolução do complexo de Édipo. (1924)
Freud, S. Novas conferências introdutórias à psicanálise. (1933) (Conf. 31)
Lacan, J. A transferência. (1960-1961) Lições de 07/06; 21/06 e 28/06/1961.
Lacan, J. A identificação. (1961-1962)
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Este Seminário faz parte do Campo temático Escritos e seminários de Lacan, sob a responsabilidade de Mario Fleig, Maria Cristina Hein Fogaça, Nair Macena de Oliveira

A Escola de Estudos Psicanalíticos define por “Campo temático” aquilo que considera indispensável e fundamental para a formação de um psicanalista, tanto na teoria como na prática, sendo sugerida a inserção em campos temáticos, a par do cuidado, de cada um, com sua análise e análise de controle.

Modalaidade: Mensal, quinta-feira, às 20h, 17/08, 14/09, 19/10, 16/11
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