O psicanalista Roland Chemama, com as ferramentas legadas por Freud e Lacan, interroga, em nossa modernidade, que na depressão há um tipo de recusa da realidade, um medo do futuro, uma relação com o tempo que coloca o sujeito de hoje em uma grande perplexidade frente às tarefas cotidianas e aos engajamentos no mundo. Como o analista, de quem se poderia dizer que é um cidadão um tanto marginal e cujo pão de cada dia é ouvir a queixa de um particular, poderia não estar interessado em repensar sua prática analítica a partir de uma reflexão sobre a depressão, que Roland Chemama concebe “como uma estrutura psíquica particular na qual um homem ou uma mulher podem estar privados de suas referências simbólicas”?

Sob a forma de uma série de cartas endereçadas a um interlocutor, o autor procura delimitar os elementos estruturais do que atualmente nomeamos depressão. O diagnóstico tem sido freqüentemente evocado para qualificar dificuldades subjetivas diversas. Seria preciso contestar sua pertinência? A depressão apresentaria uma unidade, pelo menos em um certo nível? Mais do que um humor sinistro, ela aparece como um desenvestimento radical do desejo, associado a uma paralisia da ação, que reúne impotência e utopia. Situando neste livro o que Lacan caracterizava como sendo “a grande neurose contemporânea”, o autor, em sua escrita literária ao mesmo tempo rigorosa e acessível, examina essa “doença do século”.

Catherine Ferron
Psicanalista

Membro da Association lacanienne internationale


Roland Chemama
É Psicanalista, agrégé de philosophie, membro da Association lacanienne internationale, organizador do Dicionário de Psicanálise (Ed. Unisinos, 2007). Pela CMC Editora publicou Elementos lacanianos para uma psicanálise no cotidiano (2002).